A Nintendo anunciou nesta quarta-feira (2), o Switch 2, a sequência de seu console de jogos híbrido de enorme sucesso lançado há mais de oito anos. Agora, a empresa de videogames precisa provar que consegue seguir um sucesso de bilheteria com outro, um objetivo que teve dificuldades em alcançar no passado.
Em janeiro, a empresa havia revelado apenas o design do Switch 2 e sua compatibilidade com jogos da geração anterior. O Switch 2 será lançado em 5 de junho por US$ 449,99, ou seja, R$ 2.561,25 (na conversão atual, consultada através do Conversor de Moedas do Banco Central em 2 de abril) um valor significativamente maior do que o preço de US$ 300 (R$ 1.707,54) do modelo de primeira geração.
O primeiro Switch popularizou a ideia de um console de jogos que pode ser jogado na televisão da sala de estar ou em um avião, levando uma onda de marcas de jogos para PC a seguir o exemplo. O Switch 2 é o maior lançamento da empresa desde a chegada da primeira geração em 2017 – e provavelmente ditará a próxima década para uma das maiores e mais reconhecidas empresas de videogames do mundo.
A Nintendo também terá que superar desafios que não existiam em 2017: tarifas sobre produtos chineses que podem impactar os custos de produção e envio, maior concorrência de jogos para celular e pressão para corresponder aos altos níveis da era da pandemia que a indústria de jogos experimentou em 2020. E acima de tudo, está fazendo uma grande aposta de que os fãs da Nintendo estão dispostos a gastar US$ 450 (R$ 2.567,02) no que é essencialmente uma versão reformulada de seu console atual, em vez de uma abordagem totalmente nova para jogos.
“O sucesso do Switch é uma faca de dois gumes”, disse Mat Piscatella, diretor executivo de cobertura de videogames da empresa de pesquisa de mercado Circana. “Por um lado, uma base enorme e ótima para construir. Por outro lado, um alvo enorme para tentar alcançar em termos do mesmo nível de sucesso”.
O Switch 2 itera sobre seu antecessor com vários recursos novos, incluindo uma função de bate-papo por voz no jogo que permite aos jogadores se comunicarem em tempo real. Ele também permite que os usuários compartilhem certos jogos com outros proprietários de Switch enquanto jogam pessoalmente, mesmo que o outro jogador não possua o título.
Os controles Joy-Con, que se conectam ao Switch quando ele está sendo usado como um console portátil ou podem ser usados separadamente, agora suportarão funcionalidade semelhante a um mouse de computador. O console também funcionará com uma câmera separada para que os jogadores possam se ver na tela ao usar o bate-papo por voz no jogo e outros recursos.
A Nintendo está contando com essas mudanças para diferenciar a jogabilidade do Switch 2 da de seu antecessor. Durante sua transmissão ao vivo do Nintendo Direct, a empresa mostrou como os jogadores poderão deslizar os controles Joy-Con em uma superfície como um mouse de computador para mover o personagem na tela de diferentes maneiras.
A Nintendo também deu ao hardware do console uma atualização muito necessária. O Switch 2 tem uma tela maior de 7,9 polegadas em comparação com a tela de 6,2 polegadas do Switch original, e os controles Joy-Con agora se encaixam magneticamente no console, o que deve torná-los mais fáceis de conectar ou remover do console. O console tem oito vezes mais armazenamento do que seu antecessor e o dock suporta resolução 4K, duas mudanças que devem dar aos jogadores mais espaço para armazenar jogos e melhorar a aparência deles quando conectados a uma TV compatível.
A Nintendo também anunciou novos jogos de algumas de suas franquias mais conhecidas, incluindo Donkey Kong e Mario Kart. Os títulos da Nintendo são um motivo fundamental pelo qual os jogadores continuam comprando consoles Nintendo.
Mas a empresa também concentrou grande parte de sua apresentação em jogos de outras empresas, o que é crucial porque a Nintendo é tradicionalmente mais conhecida por seus próprios títulos exclusivos, e fazer isso pode ajudar a empresa a atrair novos públicos.
Esses jogos incluem Elden Ring, Cyberpunk 2077, Final Fantasy VII Remake Intergrade, Hogwarts Legacy e Tony Hawk Pro Skater 3 e 4.
O Switch 2 é o sucessor do terceiro console de jogos mais vendido de todos os tempos. A Nintendo vendeu aproximadamente 150 milhões de unidades do Switch, colocando-o logo atrás do console portátil DS da Nintendo de 2004, que vendeu 154 milhões de unidades, de acordo com o site da Nintendo. A Sony diz que vendeu 160 milhões de unidades de seu console PlayStation 2 desde que foi lançado em 2000.
A Nintendo teve dificuldade em replicar o sucesso no passado. Por exemplo, a Nintendo vendeu apenas cerca de 13 milhões de dispositivos Wii U após seu lançamento em novembro de 2012, apenas uma fração dos aproximadamente 101 milhões de consoles Wii que foram vendidos na geração anterior. E aproximadamente metade das unidades do 3DS, uma versão do console portátil DS da empresa com tela 3D, foram vendidas em comparação com o original, que continua sendo o console mais vendido da Nintendo.
Mas a Nintendo está se afastando de seu manual usual.
Às vezes, ela marca novos consoles como produtos diferentes da mesma família, como foi o caso do Wii U e do Wii. Outras vezes, lançou novos consoles com nomes novos que introduzem novas maneiras de jogar, como o Wii, que sucedeu o GameCube e popularizou os controles de movimento, e o Switch, que funciona como um console portátil e doméstico.
Desta vez, está posicionando o Switch 2 como uma sequência direta, uma versão atualizada do mesmo dispositivo.
“Esta seria a primeira vez que realmente veríamos algo como o Switch para o Switch 2”, disse Piscatella. “É uma transição tão direta, especialmente para a Nintendo, que sempre tentou misturar algumas coisas novas e diferentes.”
Mas mesmo com um novo manual, a empresa pode ter problemas para recriar seu sucesso de 2020, quando a indústria de videogames viu um aumento no engajamento durante os lockdowns da pandemia. O lucro da Nintendo saltou mais de 400% no trimestre encerrado em junho de 2020.
O uso de consoles tem permanecido praticamente estável desde então devido a uma desaceleração pós-pandemia, entre outros fatores, de acordo com Piscatella e Anders Christofferson, chefe global do setor de videogames da Bain & Company.