A família de Benedito Machado de Oliveira Filho, conhecido carinhosamente como “Machadinho”, ainda tenta encontrar respostas para a tragédia que abalou suas vidas no início de março deste ano. Em entrevista exclusiva ao A Voz do Vale, Márcia Machado de Oliveira, filha do homem assassinado a facadas no Jardim Vera Cruz, em Avaré, abriu o coração sobre a dor da perda e os mistérios que cercam o crime.
Machadinho, de 80 anos, uma figura querida na comunidade, foi morto pelo atual companheiro de sua ex-esposa, preso em flagrante após o ataque. Segundo Márcia, o pai não tinha qualquer relação com o acusado, nem mesmo conhecia ele. “Até agora a gente não sabe o que aconteceu direito. Meu pai não o conhecia. Ele chegou e esfaqueou meu pai por diversas vezes. Ele morreu sem saber o porquê”, relatou, com a voz embargada.
O crime ocorreu em um pasto onde Machadinho cuidava da mula “Cigana”, animal com o qual tinha uma ligação especial. No momento do ataque, ele conversava ao celular com um filho que mora em Itatinga. “Meu pai estava sentado num sofá na frente do pasto, falando com meu irmão, e ele chegou ‘manso’ e o golpeou. Meu irmão me disse que ouviu meu pai gemer”, contou Márcia, emocionada, relembrando o desespero da família ao saber da tragédia.
A motivação do crime, segundo a filha, pode estar ligada a uma disputa por uma casa de propriedade do filho de Machadinho, do segundo casamento, onde o acusado residia. Com a mãe internada na Santa Casa, o filho teria pedido que o homem deixasse o imóvel e devolvesse as chaves. Um dia antes do assassinato, o acusado marcou um encontro com o filho para a entrega. No dia seguinte, foi até o pasto e, sem dizer uma palavra, cometeu o crime. “Não houve briga ou qualquer discussão. Acho que o alvo era meu irmão, mas meu pai acabou sendo alvo dele”, desabafou Márcia.
Segundo a filha, após o ataque, o homem fugiu levando a dentadura de Machadinho, que tinha dentes de ouro, além de sua carteira e cerca de R$ 3 mil que estavam com ele. “Meu pai era muito generoso, uma pessoa boa que não merecia isso”, lamentou a filha, destacando a personalidade afável do pai, conhecido por seu sorriso fácil e sua bondade.
O sepultamento de Machadinho foi marcado por uma homenagem que tocou o coração de todos os presentes. Os Muladeiros de Avaré, grupo do qual ele fazia parte, levaram a mula “Cigana” ao velório e ao cemitério para uma última despedida. A presença do animal, que acompanhou o cortejo ao lado dos companheiros de Machadinho, simbolizou o profundo respeito e a conexão do falecido com a tradição muladeira e a natureza.
Durante a cerimônia, os muladeiros rezaram pela alma de Machadinho, exaltando sua alegria contagiante e paixão pela vida. “Ele era único, sempre com um sorriso no rosto. Essa despedida foi nossa forma de honrar quem ele era”, disse um dos membros do grupo. A cena comoveu familiares, amigos e até quem apenas ouviu falar da história.
Nas redes sociais, a comoção se espalhou rapidamente. Amigos e familiares compartilharam mensagens de pesar e pedidos por justiça, cobrando esclarecimentos sobre o crime. O acusado, preso em flagrante, está à disposição da Justiça, mas a reportagem não conseguiu contato com sua defesa para comentar o caso.
Para Márcia e sua família, resta a saudade e a esperança de que a verdade venha à tona. “Meu pai era uma pessoa muito boa. Só queremos entender por que isso aconteceu e que a justiça seja feita”, finalizou a filha, entre lágrimas, enquanto tenta preservar as melhores lembranças de Machadinho, um homem que deixou sua marca em Avaré pela generosidade e pelo amor à vida.