As exportações de trigo da Ucrânia devem permanecer em um patamar elevado no mês de abril, alcançando cerca de 1 milhão de toneladas métricas, ligeiramente abaixo do volume registrado em março, que chegou a 1,1 milhão de toneladas. A informação foi divulgada pelo Sindicato dos Produtores Agrícolas Ucranianos (UAC) nesta quarta-feira (3).
O comunicado da UAC destacou que os embarques de março figuram entre os mais expressivos da atual safra. “Os comerciantes já contrataram 850 mil toneladas de trigo para abril, com potencial para atingir 1 milhão de toneladas. Apesar da estagnação na demanda do mercado europeu, o cereal ucraniano segue encontrando compradores, com destaque para o Egito”, informou a entidade.
A Ucrânia se destaca como um dos principais produtores e exportadores globais de trigo. Entretanto, o Ministério da Agricultura estabeleceu um limite para as exportações do ciclo 2024/25, restringindo os embarques a 16,2 milhões de toneladas. A medida visa garantir o abastecimento do mercado interno e evitar elevações no preço do pão.
Segundo o Ministério da Fazenda, os comerciantes já exportaram aproximadamente 13 milhões de toneladas de trigo. O ministro Vitaliy Koval afirmou na terça-feira (2) que os operadores estão cumprindo as exigências estabelecidas pelo governo quanto aos volumes exportados.
O primeiro vice-ministro da Agricultura, Taras Vysotskiy, declarou à Reuters que não haverá revisão do volume permitido para exportação ao longo da atual safra, que se estende de julho de 2024 a junho de 2025, mesmo diante do ritmo acelerado dos embarques. “Nenhuma mudança está prevista. Tudo segue conforme o memorando”, afirmou Vysotskiy.
Historicamente, a Ucrânia concentra a maior parte de suas exportações de trigo na primeira metade da safra, reduzindo gradualmente os embarques nos meses seguintes para priorizar o milho.
O sindicato UAC projeta uma queda nos preços do trigo da nova safra, estimando uma redução de aproximadamente US$ 20 por tonelada, com cotações entre US$ 190 e US$ 200 por tonelada (CPT Mar Negro) em julho.
“Se possível, os produtores não devem se apressar para vender. Historicamente, entre julho e agosto, o mercado fica saturado com trigo dos principais países exportadores – Ucrânia, Rússia, Romênia e Estados Unidos – e, mesmo em cenários de saldo deficitário, os preços tendem a recuar”, destacou a UAC.
A entidade ainda projeta uma valorização do trigo para o período entre outubro e dezembro, com preços variando entre US$ 220 e US$ 235 por tonelada CPT.