As primeiras candidatas ao serviço militar feminino começaram a ser chamadas, nesta quarta-feira (2), para a seleção geral. Essa é a segunda fase do alistamento voluntário feminino, instituído em decreto assinado em agosto, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Desde a abertura das inscrições mais de 27 mil mulheres já se candidataram.
Nesta fase, quem fez a candidatura on-line vai ao posto de apresentação para conferir os dados. Na sequência, as candidatas passam por uma avaliação médica pormenorizada, com exame físico detalhado. São observadas condições de postura, desalinhamento de cintura, quadril, altura e peso. Trata-se de uma fase eliminatória. Também é feita avaliação odontológica, observando se a inscrita possui a dentição mínima.
Na sequência, a jovem é encaminhada para a entrevista, na qual existe um roteiro pré-definido de questões a serem feitas. As perguntas abordam desde os componentes curriculares das candidatas até seu contexto social e motivações para entrar nas Forças Armadas. Nessa etapa, os recrutadores também observam se há habilidades da candidata que possam ser utilizadas no trabalho, como habilidades musicais, por exemplo.
A entrevista dura cerca de 15 minutos e também funciona como uma pré-qualificação. “O objetivo principal da entrevista é verificar a melhor função que essa jovem poderá ocupar quando for incorporada”, explica o Coronel Raphael Alves.
A escolha final é uma combinação entre perfil físico e observações da entrevista realizada. Para as candidatas consideradas aptas, o resultado final desta fase será divulgado entre 1º e 15 de janeiro de 2026. Depois disso, as selecionadas se apresentam para a designação.
Mais uma etapa de seleção acontecerá antes da incorporação. A seleção complementar é a última etapa do alistamento militar, que deve selecionar as mulheres que tenham perfil mais complementar ao demandado por cada Força.
O ato oficial de incorporação ocorre em março e em agosto. A formação básica iniciará a partir desse ato. As mulheres selecionadas só poderão desistir do serviço militar inicial feminino até essa data.
Para o Coronel, a incorporação das primeiras soldados representa um marco histórico de inclusão. “É um reflexo do que o Exército Brasileiro defende. É bom lembrar que as mulheres já estão presentes desde a Independência, e que a adesão a esse alistamento superou o esperado, é um número que representa muita coisa”, conclui Alves.
Até 2024, as mulheres que desejassem atuar nas Forças Armadas precisavam prestar concurso. É o caso da Capitão Etiene Busnello, médica e militar de carreira desde o ano de 2013. Ela ingressou como militar temporária após concluir a graduação, para depois prestar o concurso.
“A diferença é que agora as meninas se voluntariam, mas elas não precisam ter uma graduação, se alistam aos 18 anos. Eu acredito que é uma inclusão da mulher em todas as áreas, em todos os segmentos do Exército Brasileiro. Nós já tínhamos oficiais, já tínhamos sargentos, tanto de carreiras quanto temporárias, e agora vamos ter as soldados do segmento feminino exercendo todas as funções no Exército”, celebrou.