A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda elevou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2025, de 2,3% para 2,4%. Para os anos seguintes, a estimativa de crescimento se mantém próxima de 2,6%. Os dados foram divulgados na segunda-feira (20/05), durante a apresentação do Boletim Macrofiscal, em Brasília.
Segundo a subsecretária de Política Macroeconômica da SPE, Raquel Nadal, a revisão da projeção reflete, principalmente, a expectativa mais positiva para o desempenho do primeiro trimestre e o aumento da projeção da safra.
As novas estimativas apontam crescimento em todos os principais setores da economia brasileira em 2025:
Para os anos seguintes, a SPE mantém a expectativa de crescimento do PIB ao redor de 2,6%, incorporando impactos positivos de políticas como a reforma tributária e a chamada transformação ecológica.
A projeção para a inflação oficial, medida pelo IPCA, subiu de 4,9% para 5% em 2024. O ajuste considera a alta do índice entre fevereiro e abril, que passou de 5,1% para 5,5%, puxada por aumentos nos preços livres, como serviços e bens industriais.
A inflação de alimentos também aumentou nesse período, influenciada por menor deflação de produtos in natura e altas nos preços do café, leite e derivados. Apesar disso, alguns itens da cesta básica, como arroz, feijão, carne bovina, óleo de soja e azeite, apresentaram queda no preço.
A previsão da SPE é que o IPCA atinja 6,1% nos próximos meses, mas recue para 5% no acumulado de 12 meses até o final de 2024, a partir de setembro. A queda deve ocorrer devido ao efeito de uma política monetária mais restritiva, com impacto sobre o crédito e o mercado de trabalho. Para 2026, a projeção do IPCA é de 3,6%, dentro da meta estabelecida. A partir de 2027, a expectativa é de convergência para o centro da meta.
Outras projeções:
A SPE utilizou como base uma taxa de câmbio de R$ 5,86 (mediana do Boletim Focus de 7 de maio). Se o câmbio se mantiver mais próximo de R$ 5,70, as estimativas de inflação tendem a ser menores, com o IPCA podendo ficar mais próximo de 4,8%.
A taxa de desemprego se mantém próxima de mínimas históricas desde dezembro. Contudo, a SPE já observa sinais de desaceleração no crescimento da população ocupada e da massa de rendimento real em relação ao ano anterior.
Segundo Raquel Nadal, essa tendência de desaceleração deve continuar nos próximos meses, contribuindo para o controle da inflação.
A SPE aponta que o aumento das tensões comerciais e da incerteza global pode afetar o crescimento da economia brasileira, especialmente por meio da redução do comércio internacional e do adiamento de investimentos.
Apesar disso, o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, destacou que o Brasil pode se beneficiar da nova dinâmica comercial global:
A subsecretária de Política Fiscal da SPE, Débora Freire, apresentou as novas projeções do Prisma Fiscal, que indicam melhora nas contas públicas para 2025:
Freire ressaltou que esta é a sexta revisão consecutiva de melhora nas expectativas do resultado primário, após um período de deterioração observado em 2024. Segundo ela, mesmo com déficit, a projeção atual permite o cumprimento da meta fiscal estabelecida pelo governo.
O cenário econômico apresentado pela Secretaria de Política Econômica indica um otimismo cauteloso para 2025 e os anos seguintes. Apesar de riscos externos e pressões inflacionárias pontuais, o governo projeta crescimento do PIB, estabilidade no mercado de trabalho e melhora nas contas públicas, com possibilidade de cumprimento das metas fiscais e de inflação.
Confira a íntegra do Boletim MacroFiscal